segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Você sempre recebe aquilo que quer.



Um fato. Pare. E perceba. Pegue um momento da sua vida que te marcou - não interessa o que seja. Apenas veja. Lembre. Relembre, sincera e unicamente, o que antecedeu ao acontecimento. Tente se recordar como se sentiu. Um dia antes, dois dias antes, uma semana antes. Note o que prevaleceu.

E repare que aquilo que você esperava acontecer de fato aconteceu.

"Ah, mas eu não queria isso".

Justamente. Você não queria aquilo. Mas pensou naquilo. Cogitou todas as merdas que poderiam resultar naquilo. Traçou todas as as rotas de fuja para quando aquilo acontecer. E a mais vívida de todas: você TEMEU aquilo. E por temer, você deu atenção demais àquilo que não queria que acontecesse.

E por isso, VOILÁ, aconteceu.

Não se descabele ainda. Já aconteceu, já passou. Perceba algo novo dessa análise: entenda que aquilo que aconteceu só foi possível porque você deu poder a ele. Ou seja, olha que poder maravilhoso você tem. Imagina agora se você usá-lo para aquilo que você DESEJA.

Vou te exemplificar com a minha vida.

Em 2013 eu morava em João Pessoa com meu marido e meu primogênito, Samuel (este, na época, com quase dois anos). Eu e o Cali, meu maridão, sempre planejamos ter 3 filhos, com uma diferença de 2 anos mais ou menos. No final de 2013, mais precisamente no finalzinho de outubro, eu me peguei, um dia, pensando que seria legal se, ano que vem (2014), nós nos organizássemos pra ter outro bebê. Pensei, Imagine que seria divertido ter uma menina desta vez. Pensei que desta vez eu estaria mais bem preparada para toda a gestação e o parto. Seria tudo bem melhor. Quando cheguei em casa, naquele mesmo dia, conversei com o Cali a respeito e concordamos com a ideia.

E então, esqueci do assunto. Mesmo. PUF. Morreu. Sumiu. Já era. Não planejamos nada, nem falamos mais disso, eu nunca mais nem pensei nisso e tocamos nossa vida.

Aí, dezembro chegou e lá estava eu, grávida. De uma menina - e eu já sabia desde quando comecei a sentir as evidências.

Uma linda e maravilhosa observação: eu tomava anticoncepcional desde 2012 quando tive o Samuel (no meu aniversário, ALIÁS). Ou seja, perceba. Perceba que nada é, realmente, impossível. NADA. Não há coincidência em, depois de mais de um ano sem atraso e sem esquecimento, em dia fatídico depois de ter FOCADO em algo relacionado à possivelmente-quem-sabe engravidar no ano seguinte, de repente a pílula resolver falhar. Famoso "ah tá bom".

Famoso "seu desejo (focado) é uma ordem" BAM!

Embora eu tenha passado mal pra car*lho, mais do que gostaria, tudo foi como eu, naquele dia de outubro, imaginei (relevando alguns detalhes).

Isso é uma prova de que o que eu FOQUEI, aconteceu. Nesse caso, algo que eu QUERIA.

Mas o contrário também aconteceu bastante na minha vida (e ainda acontece). Como minha vida profissional em 2015 e minha terceira gravidez precoce. Tudo fruto de uma única coisa: foco.

Hoje em dia já não me descabelo mais por coisa alguma - ou pelo menos, quando estou a ponto de, eu paro, respiro e reforço a certeza de que aquilo é apenas resultado de uma equação. E os fatores são de minha responsabilidade. Sendo minha autoria, eu lido com ela da melhor maneira, exatamente para o ciclo de foco "errado" se quebrar.

Eu ainda tenho, como pessoa completa, que me aperfeiçoar em muita coisa. Mas ao menos já sei que as flores ou rochas que encontro no meu cotidiano foram permitidas por mim mesma.

E tendo passar isso para meus meninos, mas eles, perfeitos, já sacam essa parada muito melhor do que eu.

Assunto para outro post.

ALOHA.
The joyful sharing of life energy in the present.





quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Está tudo bem, viu?





A pessoa aqui é tão sem tempo e tão enfurnada na toca que as prosas mais longas que tem são com a moça que tem um bar/padaria do outro lado da minha rua. Não sei se dou risada ou choro com essa verdade, mas não vem ao caso - o ocorrido é: ela sabe que sou mãe de 3 pequerruchos. Normalmente, eles me acompanham, aos trancos e barrancos, na nossa aventura para comprar pão pro lanche da tarde. Ela acha a Lívia linda e o Muel super simpático. Dá balas para os dois, que chegam em casa e já brigam pelas balas IDÊNTICAS que ganharam. Enfim, isso também não vem ao caso. O fato é que, hoje, quando fui comprar umas porcarias para amenizar minha IRA do dia de hoje, ela percebeu minhas respiradas fundas enquanto eu pegava salgadinhos.

-Dia difícil, querida?
-É...
-Sabe que, eu nem sei seu nome, mas eu acho que você tem uma boa energia. É difícil ser mãe e seus filhos têm uma aura bem amorosa. Sei que você é casada mas deve fazer todo o trabalho do dia a dia sozinha, né? Cansa. Cansa só ser mãe às vezes, né? Ás vezes a gente esquece que é mais do que mãe. E dá uma exaustão. Mas olha, eu vejo você sempre por aqui, levando seus filhos com sorrisos e paciência pra cima e pra baixo e posso dizer que você está fazendo um excelente trabalho. Eles devem dar trabalho às vezes, mas a essência deles está aí, eles olham pra você nos olhos, falam, respondem, gostam, não gostam também. Está tudo bem viu. Eles são ótimos. Você é ótima.

Não vou dizer que chorei, mas vou dizer que tive que me segurar muito. Tive vontade de abraçar a moça, mas só abri um sorriso de alívio e de agradecimento. Ás vezes dá a impressão que a gente está sob eterno julgamento (bom, não é impressão, muitas vezes...), e quando chega alguém total avulso out of the blue e te acaricia com palavras doces, você renova a fé na vida, no mundo e em si mesma.

Obrigada, moça.

sábado, 20 de agosto de 2016

Quem tem poder na sua vida?

Todos os dias úteis, a perua do meu filho passa às 5:40h da madrugada para levá-lo à escola. Ou seja, a mamãe coruja aqui, em um estado zumbi eterno, coloca o despertador às 5:15h para entregar o Samuel ao tio da carona no horário combinado.

Como sou filha de uma filha de suíços, não curto nem um pouco atrasar os outros. Então, sou extremamente sistemática para não falhar nesse compromisso.

No entanto, como tudo na vida, às vezes as coisas não saem como gostaríamos.



Certo dia, eu simplesmente não ouvi o despertador. E quando acordei, eram 5:45h. Imagina minha reação. Sim, foi absolutamente repleta de desespero. Parecia que eu tinha que tirar o pai da forca. Nunca catei meu menino da cama e o troquei tão rápido. Provavelmente bati algum recorde mundial. Xingava, muito. Não conseguia acreditar como eu poderia ter dormido, e estava corada de vergonha antes mesmo de encarar o moço da perua.



No portão do meu prédio, jazia o ajudante do perueiro com cara de pouquíssimos amigos. Eu tremia de nervoso e nem conseguia encará-lo. Entreguei o Samuel aos cuidados dele, pedindo desculpas atrás de desculpas, como se eu tivesse cometido um crime. Ele nem sequer me respondeu. O tio da perua repetia, grosseiramente, que estava muito atrasado e que o horário existia para ser cumprido.

Voltei para casa devastada. Parecia que eu tinha acabado de condenar minha alma. Deitei na cama, meu marido, sonolento, perguntou se eu estava bem. Eu expliquei a situação que eu havia acabado de viver e ele, certeiro, disse:

-Meu amor, e daí que você se atrasou? Acontece com todo mundo. Não é o fim do mundo, ninguém morreu por causa disso, tá todo mundo com braço, perna, saúde, casa e comida. Todo mundo vai seguir vivendo de boa. Então, relaxa e dorme.

Naquele momento, o óbvio nunca ficou tão claro: por que raios eu estava tão nervosa? Realmente, não era nada aquela situação, era algo que eventualmente aconteceria e nada disso me condenaria a uma pessoa ruim. Então, qual era o meu problema?

 Era muito simples: descobri que eu tinha uma relação doentia com a opinião alheia. Descobri ainda mais que isso não era algo novo, vinha de longa data, tipo, desde meu nascimento, possivelmente. E ao reconhecer isso, nunca me senti tão idiota. Caraca, por que vivi colocando os outros num pedestal? Por que o que eles pensariam de mim era tão importante?

Porque assim dita o senso comum e normalmente, o senso comum é ensinado em todos os lugares - e a maioria leva para a vida.

E lá estava eu, levando para a vida e dando meu reinado para ele.

Percebi que em muitas situações essa sensação se repetiu: quando me descobri grávida do Pablo, entrei em depressão porque ficava IMAGINANDO o que MINHA FAMÍLIA pensaria de eu ter engravidado quando a Lívia estava com apenas 7 meses. A pessoa tem que ser muito besta de colocar a opinião de outras pessoas acima da própria - pessoas essas que por mais amor que tenhamos, não moram conosco, não pagam nossas contas, não estão na nossa certidão de casamento.

Então, às 6:15h da manhã, deitada na minha cama refletindo sobre isso, DECIDI que não iria mais levar merda nenhuma de sensação de "sou pior do que os outros" para comandar a minha vida. DECIDI que aquela seria a última vez que daria poder aos outros. Parece uma puta bobeira - e realmente é. Mas vivi tanto tempo aprisionada por isso que era quase normal me sentir assim.

But not anymore. Ridículo é aos 33 anos, com 3 filhos e casada há 7 anos eu ainda give a SHIT para o que os demais pensariam de algumas situações que EU vivia. Dezenas de anos de terapia não me ensinaram isso - só quando comecei a meditar que certas respostas vieram á tona. O autoconhecimento sempre é a melhor das guias. Anote isso.

Moral da história: vamos viver as nossas melhores versões. E quando algo não seguir o plano, é apenas a vida nos dando um sacode de emoções, para nos relembrar que somos humanos e podemos escolher o que queremos sentir,

Obrigada despertador pela lição.




sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Um. Dois, Três.





"Você tem 3 filhos? Que coragem/bobagem/loucura [insira outro adjetivo negativo aqui]".

Sim senhor, eu tenho 3 filhos. Três. Isso, três filhos. T-R-Ê-S. Um, dois, três. Eu sei que você acha muito, mas era o que eu queria - não da forma que eu queria, mas aquilo que a gente não quer também calha de aparecer nos trilhos da vida, o que podemos fazer? Aceitar, né? E está tuuuudo bem, mesmo. Então aceitamos de bom grado. Obrigada, obrigada!

Esses dias uma amiga postou no Facebook um quadrinho feito pela Chaunie Brusie e traduzido pelo Hypeness que me fez pensar nas questões do tratamento social que mães e pais recebem.




Claro que quando eu li isso, super me identifiquei. E muito mais porque, quando saio com meus filhos, especialmente sozinha, recebo incríveis olhares de:

1)Nossa, essa não sabe o que é camisinha ou anticoncepcional;
2)Nossa, essa quer povoar o mundo sozinha;
3)Nossa, outra que deve depender do namorado/marido/pai das crianças;
4.)Nossa, acabou com a vida dela, tadinha;
5.) Nossa, essa não tem internet nem TV em casa;
6)Nossa, essa sabe segurar homem;
7)Nossa, e depois favelada quem tem filho à toa;
8) Nossa, quer abrir uma creche.
9) Todas as alternativas.


É uma infinidade de especulações sobre as razões da mulher ter se tornado mãe, mas o mesmo preceito não cabe ao homem. Quando nós todos saímos de casa com o meu marido, os olhares dirigidos à minha família eram de:

1)Aaaah, que família linda;
2)Ahhh que fofura, o homem carregando a filha;
3) Aaaah, que mãe de sorte de ter um homem presente em casa;
4) Aaah que filhos lindos, puxaram o pai;
5.)Todas as alternativas mais outras qualquer realçando como eu tenho sorte por ter um marido ao meu lado.

Olha gente, eu amo meu marido. De verdade, ele é um cara maravilhoso, mas esse pensamento barroco de que eu, como mulher, só sou completa, útil e necessária para a sociedade POR CAUSA do meu companheiro é um troço que não consigo entender. Por que eu andando sozinha na rua com meus filhos (sim, no plural) QUER DIZER QUE sou sozinha, uma coitada, uma largada e irresponsável? Desde quando a mãe virou um padrão misógino desta forma?

Bom, certamente vem de longa data, já que o mundo é regido por alguns parâmetros bem machistas.

O negócio é: ser mãe já virou um negócio imaculado (a partir da concepção, você está fadada a ter os maiores medos e culpas da sua vida, e mesmo os camuflando com sorrisos e fotos no Instagram, ainda será interruptamente julgada por todos eles, por pessoas que, pasmem, normalmente nem pais são) - mãe de mais de um filho recebe um tratamento ainda pior, como se a quantidade dos filhos fossem dependente e diretamente ligada a forma que eles vão crescer (na maioria das vezes, pela votação geral, como um bando de bostas acéfalas e mal educadas). Afinal, na cabeça delas, um filho é difícil, dois é mais ainda e três é, não só impossível, como um atestado de irresponsabilidade, porque afinal, que mãe que consegue cuidar e criar de 3 filhos? Ah sim, nossas mães e avós. Mas naquela época era outra coisa, hoje é um Deus me livre. Né? Não.

Eu faço tudo sozinha - quando engravidei da minha filha, minha segunda gestação, eu estava empregada, mas como grande parte das profissionais que se vêem grávidas, fui convidada à me retirar logo depois da minha licença.Ali senti como o mercado de trabalho se fechou ainda mais para mim. Quando tive meu terceiro, então, virei um repelente ambulante de vagas. E assim, fui forçada a ser mãe 24h e dona de casa.

Hoje estou em casa, insistindo na volta à minha profissão, faxinando com o melhor humor que conseguir ter e cuidando da minha cria da melhor maneira que consigo. Porque digo, óbvio que não é easy task. Tem dias que não durmo mais de 4 horas e nem consigo tomar banho antes da meia noite. Comer então é uma raridade. Mas mesmo assim, estamos na luta da ação diária de "vamos fazer o melhor que pudemos com o que tivermos". Eu acredito que a vida só muda quando a gente muda, então, vomitei os desaforos e desfilo minha vida de mãe para engrandecer todas as mães que se sentem fuziladas pela sociedade patriarcal que querem fazer com que a gente se sinta mal pelas nossas próprias decisões. Digo, manas: vocês não estão sozinhas. Já somos completas por sermos o que somos. Mulheres que são mães e que calham de ter ou não companheiros/as.

Já somos inteiras. E está tudo bem com isso.







quinta-feira, 28 de julho de 2016

Porque temos um computador.





-Quando você disse que queria usar o computador, pensei em pesquisa na net ou ver uns vídeos no Youtube.

-Cale-te, serva! Estou em um momento muito importante!

-Jogando Zelda?

-Esses lobos cretinos estão acabando com minha energia!

-Pé, pelo amor de Deus, pode largar esse contr... CUIDADO COM OS ESPINHOS!

-Tu sabes como passar por esses canídeos do inferno?

-Óbvio, o jogo é meu.

-E o que está esperando?

-Pé, não é hora de jogar videog... Mano, sai da parede!

-Estou tentando, serva! Esse moleque imprestável consegue pular ali no muro?

-Consegue, vai logo! PQP, só faltava você cair.

-Silêncio! Eu sou o senhor do universo! Mestre de toda a sabedoria e...

-Tá, tá, presta atenção que você quase caiu.

-Esse controle é uma porcaria pra jogar isso, serva! Não dá pra mirar direito!

-Pára de falar bosta e mata logo esses bichos.

-Tu achas que é simples? Esse moleque descontrolado não sabes atirar!

-Você quem o controla, jumento. Agora vamos parar por aqui e... VOCÊ CAIU?

-Droga.

-Você caiu no lugar mais absurdo.

-Cale-te. Obviamente, deu algum problema nesse jogo idiota.

-Você é realmente o senhor dos videogames.

-Certo, podes usar essa coisa que tu chamas de ocupador.

-Computador.

-O que seja.

-... Pé, você mexeu aqui no meu trabalho?

-Audácia! Por que olhas sempre pra mim?

-Ah é? E por que no documento tem o SEU nome no lugar do meu nos direitos autorais?

-Devo ter confundido com os truques que pesquisei pra jogar esse jogo, e... O que vais fazer com esse mouse, serva e... ARGH!

domingo, 24 de julho de 2016

Tudo é maternidade.




-Esse desenho não faz sentido.
-Claro que não. É um desenho.
-Esses porcos têm corpos de bolas.
-Pois é. Minha filha adora isso.
-Ela nem sequer pisca, serva.
-Pois é. É ótimo.
-É ótimo que ela não pisca? Tu achas isso bom?
-Eu acho que graças a esse desenho de animais com corpos redondos eu tenho meia hora para ouvir meus próprios pensamentos.
-Não sei do que reclamas, serva. A maternidade não parece ser complicada.
-AH você acha é? Que coisa!
-Tu reclamas à toa.
-Ah, Ok então.
-Tu não vais discutir?
-Eu? Não. Tô de boa.
-De boa? Tu estás de boa?
-É.
-De... Boa?
-Sim. De boa.
-Tu estás DE BOA?
-Foi o que eu disse, não foi?
-O que aconteceste contigo?
-Comigo? Nada uai.
-Como nada? Tu não queres discutir comigo!
-Uai, discutir pra quê? Pra Eu ficar nervosa querendo que você entenda algo que possivelmente não está nem perto de entender? Pra querer te provar que todo o santo dia eu traço um plano de rotina e que eu NUNCA consigo seguir? Pra te falar como é realmente fácil dormir umas 5 horas por noite, começar a limpar a sala e parar porque algum filho faz coco, no meio do banho outro filho faz coco, ai nisso você ainda queima o arroz, os filhos então brigam enquanto você tenta ir ao banheiro, as roupas que você perdeu um tempão arrumando estão sendo transformadas em tijolos para um forte. É realmente algo super de boa você se pegar conversando sozinha para ouvir uma voz de adulto não de um desenho, esconde todos os seus doces para não aguar seus meninos, mas na verdade é para que eles não comam as coisas que você quer comer, mas no final eles acabam comendo e você fica sem. O momento de ficar sentada no sofá não existe mais porque em 30 segundos duas crianças te consideram parte do móvel e se penduram no seu pescoço, e é claro, começam a brigar de novo.  Mas, de boa. Uma dada hora do dia você acha que fez muito, mas tem ainda louça, roupa, chão, mais fralda e mais briga para administrar - além de supermercado, comida, banho, recolher lixo, explicar para parente porque não vai com 3 crianças pra lugar nenhum e ainda ouvir reclamação. E depois de tudo, sentar no computador querendo se acabar em séries, mas começa procurando vaga de trabalho, ouve umas justificativas de empregador por não te contratar porque "a responsabilidade de mãe iria atrapalhar" que você preferia ter furado os ouvidos. Ai tem ainda que ouvir de pessoas ao redor as suas razões de ter tido tantos filhos, porque minha guria se veste de azul, porque meu guri brinca de boneca, porque ainda amamento meu bebê de oito meses e porque não estou impecável no final do dia pare receber meu marido. Sem contar que o fim de semana esta aí para descansar, eu que não sei aproveità-lo. Meu amor, xô te contar que não descanso desde 2011, Não sei o que é sábado nem domingo. Feriado é tipo uma utopia. E é claro, é tão traquilo quando eles dormem em sincronia, coisa que raramente acontece, e você pensa em tomar um banho que dure mais do que 3 minutos, mas sua mente e corpo só querem é ficar quietinhos jogados no sofá fazendo merda nenhuma. E é nessa hora que normalmente alguém telefona ou entra em casa e já presume como é fácil a vida de uma mãe, isso porque nem de banho tomado você está. Igualzinho você está fazendo.
-Estou sem palavras, serva.
-Ainda bem.
-Gostaria de me desculpar.
-Desculpas aceitas.
-Mas gostaria de perguntar algo.
-Ai lá vem.
-Tu fazes tudo isso e ainda estás feliz. Como?
-Porque, mesmo estando LOUCA todo o dia, todo momento desse dia de loucura é valioso demais pra mim. Estou viva, Pé. Tenho 3 filhos incríveis. Eles me deixam louca, mas eles são universos incríveis. Cada um da sua maneira. Todo dia eles aprendem coisas novas. E a forma do que eles me olham, como se eu fosse uma pessoa ultramente FODA, é de matar qualquer pensamento de autosabotagem ou de insuficiência. Porque eu faço tudo isso, Pé, mas ainda me sinto insuficiente às vezes. Errada, pouca merda. A cobrança em cima é devastadora, mas a cobrança que eu mesma faço em mim é tipo um tiro de bazuca. Mas, a aprendi a ver o lado positivo de tudo, inclusive da dificuldade. E eu sei que tenho que melhorar as minhas percepções da vida, porque são elas que moldam meu caminho. A gente escolhe diariamente como quer viver. Ás vezes dá uns tilts. Mas uma hora eu consigo.
-Os anos te fizeram mais sábia, serva.
-Isso ou fiquei louca de não dormir mais.
-Serva, tua cria dormiste.
-É mesmo.
-O que tu vais fazer? Tomar banho? Escrever? Tomar coca-cola.
-É...
-Ficar sentada aqui olhando pro nada?
-Sim.
-Tô contigo, serva.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Assim foi. Assim é.

 


-Sabe quantos anos tem essa foto, Pé?
-Tempo demais, serva.
-É, tempo demais. 11 anos. ONZE ANOS.
-Pra que essa gritaria? Assim tu só enfatizas tua idade, serva.
-Não tenho abalo sobre isso, bobão.
-Porque tu tens essa cara de índia perdida. 
-Ah tá bom. Bocó.
-Ingrata.
-Eu sou ingrata?
-Tu és mais do que ingrata. Tu és insubordinada. Tu viveste esse tempo todo sem a minha permissão para nada. 
-Sua permissão? É uma brinks, né?
-Tu casaste com um servo que não me reconhece como senhor do Universo.
-E quem é que te reconhece assim, gente?
-Tu tiveste filhos, quase uma máquina de crianças.
-EI!
-Três criaturas que não param quietas, gritam, destróem tudo, caem, babam, e tu nem sequer me deste satisfação.
-Então o senhor todo poderoso está sentidinho porque não foi incluso numa decisão matrimonial?
-E ainda nos mudamos para um lugar mais quente que o sol. Por acaso esqueceste que tenho sérios problemas com o calor? Minha pele é sensível. Não durmo direito.
-Foram só dois anos, Pé, e até onde eu sei você nem saiu de casa.
-Mas senti o calor do mesmo jeito.
-Todos nós, querido.
-Não mudes de assunto! Tu não escreves mais!
-Isso realmente é verdade. Isso é horrível mesmo.
-Não digo aquelas tuas historietas sem graça, estou falando das minhas crônicas!
-Ah... Realmente, né?
-Tu pareces sarcástica.
-Ah só pareço?
-Audácia!
-Olha aqui Pé, a vida passou. E rápido demais pro meu gosto. Agora vamos esquecer isso e nos concentrar no que importa?
-Certamente.
-Ótimo. Vamos escrever uma nova apresentação para você no blog.
-Cadê meu nome no blog?
-Tá de brincadeira? Não tem nem o meu, bocó.
-No outro ao menos tinha a menção sobre minha existência. 
-Ah meu Deus.
-Já vi que não vou gostar daqui.
-Ai, tá bom, whatever, vamos tirar uma foto.
-Tudo estás muito diferente. 
-Faz parte, Pé. Agora vem tirar foto.
-Tu não compras mais |Pringles ou Budweiser pra mim.
-Sabe o que é, em 11 anos as coisas se tornaram um tanto... Inflacionárias, querido.
-Não deveria importar se fosse para agradar ao teu senhor!
-Ah... é verdade né.
-Sinto sarcasmo.
-O quê, eu? Imagina! Agora sorri.
-Não vejo razão. 
-Ai Deus.
-Tu me esqueceste. Tu me usaste de custeio.
-Na verdade é "colocar pra escanteio". 
-Viste, tu não negas.
-Olha Pé. Eu me casei, eu tive filhos, eu sai e voltei de São Paulo. E sim, eu sei que ficamos meio separados, eu e você. Mas nunca é tarde para recomeçar. Vamos, vem tirar foto comigo.
-Tudo bem. 
-Obrigada.
-Com uma condição.
-O quê?
-Já que tu não colocaste meu nome no blog, ao menos tenha a decência de alterar o nome de alguma das suas crias em minha homenagem e...
-SORRIA SENÃO VOCÊ DORME NO VENTILADOR HOJE.
-Audácia. Sempre muito apegada a bobagens fúteis.




WE ARE BACK.


sexta-feira, 15 de julho de 2016

De novo. Quantas vezes forem necessárias.

Vamos escrever, Rebeca. Pelo amor de Deus, vamos escrever.

Você escreve coisas legais e às vezes loucas desde os 14 anos. Vamos continuar com esse hábito. Você gosta, é legal. Tudo bem que com 14 anos você só estudava. Tinha tempo para fazer tudo. Dormia e comia bem. Hoje com 33, TRÊS filhos pequenos, um marido que mal vê de tanto que trabalha e um milhão de obrigações diárias, parece meio distante essa vontade. Mas você sabe que não é apenas uma vontade, Rebeca. Você sabe que é quase uma necessidade física. É tipo como respirar e comer. Você se alimenta disso. Faz parte do que você é. Acha que não sei que você pensa em prosa e reflete em versos? É o que você é! Chega de fugir disso. Não é tarde demais para viver como você deve viver.

Não me venha com essa cara que não tem tempo. Arranje tempo. Você costumava acreditar que tinha que colocar muitas coisas mais importantes primeiro, mas agora você escolheu acreditar que não quer mais esperar para se sentir completa. E se sentir completa condiz com sua vocação e adoração pela escrita, pelo mundo nerd, por filmes, desenhos, tatuagens, games, livros, moda, maternidade, espiritualidade,e.... Já disse games?

Escreva, Rebeca. Isso não é negligenciar sua família, seus curumins não vão ter um troço se você dedicar meia hora do seu dia para nutrir sua alma de rimas. Parece impossível com três filhos, casa, comida, roupa, freelas, mas você decidiu querer fazer acontecer. Você dorme pouco, come em horas loucas, toma banho na velocidade da luz, a organização metódica da casa é revogada 3 minutos depois de realizada, você então, Deus me livre ficar com pijama quase até o meio dia. Você pode fazer diferente. Muitas pessoas fazem igual, mas você nunca se sentiu parte de nada mesmo, né?

Assim, o que te resta é escrever. Dá tempo de tudo, Rebeca, fica fria. Você é uma super mãe, super esposa e é uma super mulher também. Vambora, que há muitas ideias para colocar no papel.

Obrigada.

De nada.

Agora, escreva.